sábado, 26 de abril de 2008

MeU oLhAr

Melancólico, o poeta lança o seu olhar para a realidade, vista nas ruas e nas telas.
Denuncia a idolatria camuflada do mercado frio, cruel e injusto.
Anseia pela justiça que vem de Deus.


Minha alma sangra,
Jorra indignação, ódio e revolta,
Pelo caos travestido de verdade
Pela mentira travestida de liberdade
Trapo humano a impor a miséria.

Mercado, deus morto,
Mórbido, vazio de Deus
Imagem diabólica a implantar o inferno
Grito de fome, medo e horror,
deus, à imagem e semelhança de homens.

Mercado, deus do homem.
deus usura, déspota, sórdida ganância,
Miséria imposta, oração sem resposta
Juros, imposto, suor, sangue e dor
Medo, lágrima e morte.

Mercado, deus do homem.
deus “bondoso”, hipocrisia letal
Patrocinador do samba nas passarelas,
Do circo nas telas, dos dribles nos gramados
Pão amanhecido, descabido e ilusório.

Mercado, agiota desprovido de amor
O eco do teu louvor é o vômito de Deus
Teu deus é o início do teu inferno
A dor do povo será tua amante infiel
Estás condenado a perseguir a ilusão.

Minha alma sangra.
Anseia pelo Reino de Deus,
Tem sede da “Água Viva”, do “Pão da Vida”,
Da volta do Cristo que é Juiz e faz justiça vivaz
a romper com as cadeias da morte.

Ponte Hercílio Luz - Florianópolis – SC.
21 de fevereiro de 2005

sábado, 19 de abril de 2008

QUANTAS CARAS!


Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante,
assemelha-se ao que contempla num espelho o seu rosto natural;
pois a si mesmo se contempla e se retira,
e logo se esquece de como era a sua aparência (Tiago 1:23-24).

Espelho
(Arthur Nestrovski)

Espelho tem mil e uma caras. E nenhuma cara.
As mil e uma são as caras de quem olha.
A cara nenhuma é dele mesmo.
É sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar.
E o espelho? Um espelho está vazio de quê?
De escuro. (Espelho só fica vazio se não tem luz.)
O espelho não julga ninguém. Também não disfarça nada.
O espelho adora se ver noutro espelho.
Os dois se perdem um no outro até desaparecer.
Cada dia uma cara? Na Igreja, cara de santo. No trabalho, cara de “Gerson”(vantagem em tudo). Em casa, cara de quem comeu e não gostou. No esporte, cara de “bad boy”. No namoro, cara de pau. Talvez eu deva ser mais camarada, talvez eu deva escrever com cara de... deixa eu ver com que cara vou escrever. Ah, já sei, com a cara de hoje. É verdade, se eu deixar para escrever amanhã, a minha inspiração será outra. E se fosse ontem? Ontem, eu estava triste e só queria escrever poemas tristes (cara de poeta triste). O espelho reflete a cara que tivemos, a cara que temos e a cara que teremos. O poeta diz: “mil e uma caras”. Tiago fala do espelho como um objeto revelador. Diz que quando nos olhamos, vemos a nossa cara daquele momento e depois nos esquecemos. É verdade, você já reparou na pergunta? “Que cara é essa?”. Ou então, dizem: “Você está com cara de segunda feira”. “Cara”, quantas caras temos! No dia a dia, podemos ter muitas que revelam o caráter e a personalidade. Caras diferentes em lugares diferentes de acordo com as conveniências. Estou falando de hipocrisia, como olhar no espelho e logo esquecer daquela imagem. Tiago diz que é assim com cristãos, que não praticam as palavras de Cristo. São os que falam com a boca, e mentem com as ações. O espelho mostra as caras de segunda, de sexta, de sábado e domingo. Cada dia com uma cara. – Alguém elogiou um filho, perto da mãe e ela perguntou admirada: – Você está falando do meu filho? – Morreu um homem, e o pregador o elogiava poeticamente. Os filhos estavam junto da mãe, um deles perguntou: – Mãe, será que é do pai que ele está falando? Temos muitas caras, não é mesmo? O poeta diz que “O espelho só fica vazio se não tem luz”. O cristão só fica vazio se não tiver Jesus, que é a Luz do mundo. Precisamos ter a “cara do Pai do céu”. Isso acontecerá, se nos parecermos mais com Cristo.

Rev.Luiz Moraes

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Poesias: Lugar
Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em valer-me,
Pois tu és o meu amparo e o meu libertador... Salmo 70:5
Lugar

Gente da favela,
gente que acende vela,
gente que desfila na passarela.
Gente no banco de jardim,
gente roubando dindim,
gente com perfume jasmim.
Gente no lixão,
gente que rouba o ladrão,
gente na festa do patrão.
Gente no hospital,
gente que faz do Brasil o seu quintal,
gente que só faz mal.
Gente nua,
gente da rua,
gente que vai a lua.
Gente sem pão e sem teto,
gente que corre atrás e mata o moleque,
gente que esnoba e abana o seu leque.
Gente que chora, mas luta,
gente que ouve o grito da criança, e enluta,
gente que espera o milagre do Senhor,
para continuar sua labuta

Rev.Luiz Carlos Lemes de MoraesFlorianópolis/2000

quinta-feira, 10 de abril de 2008

FeLiCiDaDe
"Ser feliz a qualquer preço é ser indiferente ao outro.
É uma declaração de egoísmo sem limites,
é ignorar as palavras de Jesus no Sermão do Monte quando diz:
Felizes os limpos de coração....Felizes.... Felizes e Felizes..."
(Luiz Carlos Lemes de Moraes)

Felizes os que são gratos a Deus pela vida
e a celebram com Jesus no coração e nas ações diárias.
Felizes os que louvam a Deus no templo e demais lugares
e se refugiam nEle.
Felizes os que crêem e lutam para vencer.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Campos de Deus
"Se ao menos olhassem os campos que já branquejam
Se ao menos ouvissem o autor e consumador da fé
Se ao menos amassem a missão que lhes foi confiada
E não andassem de cabeça baixa, atentos ao material
E não questionassem aqueles que foram chamados por Deus
E não deixassem questões políticas interferirem no essencial
E respeitassem os que trabalham nos campos
E amassem a todo ser humano, sem discriminação...
Então, os frutos seriam colhidos até os confins da terra."
Luiz C.L.Moraes

“Se minha prédica ganhasse voz, se, ao menos, fosse como o murmurinho das matas, minha alma sufocada pela imposição do silêncio, se calaria” (Luiz C.L. Moraes)
NÃO ME SIGA,
ESTOU PERDIDO
Zé da Silva, negro brasileiro, perambula na madrugada afora, na madrugada fria, na madrugada quente, na madrugada que madruga só. A noite menina é só dele só, até os raios do sol desenharem o arrebol.
Zé da Silva, sem nome certo, sem teto, e sem chão confabula com o cão. Fala com voz rouca, fala de si mesmo, fantasia ser dono da noite, dono da rua. O dia, para ele, é noite, é sono, é hora de dormir enquanto a cidade anda.
Zé da Silva, sem família que conheça, talvez uma filha, se encabula por ser só. Solidão vil, sem voz, só latido do cão, trovão no céu, relâmpago que risca e diz tempestade, zunido do pernilongo e mais um gole.

Luiz C.L.Moraes - Florianópolis - SC - 31/01/2006 - Guaíba - RS - 28/02/2008